quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Árvore Humana

No dia 16 de Dezembro, a comunidade educativa do Colégio concentrou no átrio (frente ao pavilhão) para formar a árvore humana de Natal, sonhada pelo grupo de EMRC.
Com "regência" do Prof. Madureira, e a benevolência do clima, os alunos e os professores de todos os ciclos escolares participaram nesta construção que, para além da configuração vísivel de unidade, contribuiu para o reforço da configuração interior de comunhão, amizade, fraternidade entre todos.
Uma actividade a repetir, sem dúvida!!!

domingo, 7 de dezembro de 2008

O Nosso Mundo

Durante o primeiro período, os alunos do 11.º ano de design do Colégio de S. Gonçalo traçaram nas aulas de EMRC o perfil do nosso mundo pós-moderno. Depois fizeram uma representação gráfica. E que mundo é este? Um mundo da indiferença; vazio de valores, que se afoga no relativismo ético; consumista, que se perde na sua abundância e variedade; de manipulação; um mundo herdeiro de Ícaro e de Narciso.

sábado, 6 de dezembro de 2008

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A mentira da morte e a morte da mentira

Afinal, quem mente: a morte ou o Homem?
Ninguém sabe o que é morrer. Mesmo que tenhamos visto alguém morrer, foi de fora. Vimos alguém ainda vivo. Depois, é uma ausência.

Ninguém sabe o que é estar morto. O que é estar morto para o próprio morto? Dizer, perante o cadáver do pai, da mãe, do amigo, da amiga, do filho, da filha, do irmão, da irmã: o meu pai está aqui morto, a minha mãe está aqui morta, o meu amigo, a minha amiga, o meu filho, a minha filha, o meu irmão, a minha irmã está aqui morto, está aqui morta, não tem sentido, pois o que falta é precisamente o sujeito. Eles não estão ali. Se estivessem, não estavam mortos. Onde estão então? Há aquela pergunta in-finita que Tolstoi coloca na boca de Ivan Ilitch moribundo: onde é que eu estarei, quando cá já não estiver?

Dizer que os levamos à sua última morada é outro contra-senso da linguagem. Quem é que se atreveria a enterrar ou a cremar o pai, a mãe, o filho, a filha, o amigo, a amiga, o irmão, a irmã?
E também não faz sentido afirmar que vamos ao cemitério vê-los. Nos cemitérios, com excepção dos vivos que lá vão, não há ninguém.
Mas então o que há nos cemitérios, para que a sua profanação seja, em todas as culturas, um crime hediondo? Há a memória. Mas o que sobretudo há é o que nos faz homens: um in-finito ponto de interrogação, que vem ao nosso encontro como pergunta in-finita: o que é ser Homem?; porque é que há algo e não nada? A morte coloca-nos perante o abismo do nada. […]

Frente à morte, o Homem é confrontado com o nada, aquele nada que lhe põe a interrogação absoluta, e, assim, pergunta inconstruível, o lugar da verdade para ele. É perante o abismo sem fundo e sem fim do nada que se lhe revela o puro assombro e a estupefacção absoluta do mistério incrível e indizível do Ser e de ser.
A morte não mente. Ela desmente a hipocrisia diletante, pondo a nu a verdade. Quem mente é o Homem, sobretudo nas nossas sociedades urbanas e técnicas, que fazem da morte tabu, o último e único tabu. O Homem ocidental não só não quer enfrentar a verdade como mente, agora no sentido de não dizer a verdade, faltar à verdade, enganar e enganar-se.

M. Heidegger pôs a meditação da morte no centro da sua reflexão filosófica. Porque é a consciência da mortalidade que faz distinguir entre a existência autêntica e a existência inautêntica, entre o que vale e o que não vale, e ser na liberdade.

Não se trata, portanto, de envenenar a vida nem de vivê-la morbidamente, mas de ir ao essencial e viver intensamente o que há para viver aqui e agora, pois é tudo sempre pela primeira e última vez. Procura-se a verdade de ser si mesmo. Quem quiser saber quem é coloque-se frente à pergunta: o que faria, se soubesse que amanhã vou morrer?
A nossa sociedade da banalidade rasante, do consumismo enlouquecido, da espectacularização ridícula, da correria alienada e alienante, só pode ser o que é enquanto assente no tabu da morte. Se a morte voltasse ao pensamento sereno dos homens, ela imporia uma conversão.

Aí, perante a contradição viva do "eu-morro", do "alguém-ninguém" - a consciência da mortalidade é a experiência insuportável dessa contradição -, é-se arrancado à alienação, e pode acontecer ser-se convocado pela intuição de que aquele nada com que a morte nos confronta não é o nada vazio e morto, mas o nada enquanto véu da realidade verdadeira na sua ultimidade. Afinal, nem o sol nem a morte podem ser encarados de frente, e a causa é o excesso de luz. Os místicos sabem-no, quando falam de "raio de treva" e "tenebrosa nuvem, que a noite iluminava".

Anselmo Borges [Padre da SMBN e Professor de Antropologia Filosófica na UC]

terça-feira, 1 de julho de 2008

ACAMPAMENTO DE EMRC - 8.º ANO

Um grupo de alunos do 8.º ano do Colégio de S. Gonçalo (Amarante) acampou em Covelo do Paivó (Arouca) nos dias 25, 26 e 27 de Junho de 2008. Para além do divertimento que esta actividade proporcionou, também semeou, em cada coração, a partilha, a alegria e a reflexão. Também serviu para constatar os dotes de culinária dos alunos e dos professores. Mas surpresa, surpresa foi o pão com chouriço do Prof .Vítor Lemos. Para ver e reviver.

domingo, 8 de junho de 2008

PATCH ADAMS

Este é o primeiro vídeo da entrevista a feita ao verdadeiro “Patch Adams” realizada pela estação televisiva brasileira TV Cultura em Setembro do ano passado. Ao todo são cerca de 10 vídeos que valem a pena serem vistos. “Patch Adams” tornou-se um médico conhecido em todo o mundo através de um filme, cujo título é o seu nome, que retrata a sua vida e o seu espírito revolucionário, interpretado brilhantemente pelo actor Robin Williams.
Os alunos do décimo ano viram o filme há cerca de um mês. E não viram apenas com os olhos, mas também com o coração:

“Vê o que ninguém mais vê. Vê o que todos preferem não ver por medo, comodismo ou preguiça. Na verdade, estás no bom caminho. Se só visses em mim um velho louco e amargo nunca terias vindo ter comigo.” (Arthur Mendelson)

“E se um paciente morresse? Que tem a morte de errado? Por que temos esse medo mortal? Por que não tratamos a morte com humanidade dignidade, decência e até com humor? A morte não é o inimigo. Se quiserem enfrentar um mal, enfrentem o mal da indiferença.” (Patch Adams)

“A missão do médico deve ser não apenas de evitar a morte, mas melhorar a qualidade de vida. Tratando o mal, ganha-se ou perde-se. Tratando o indivíduo, garanto que vão ganhar, independente do desfecho.” (Patch Adams)

A FRAGILIDADE DE UMA CRENÇA

A vida pública é hoje ateia ou agnóstica. Ouve-se muito criticar a tolice e o delírio das religiões, mas raramente se refere a fragilidade intelectual da própria atitude ateísta que, com todo o respeito, é muito inconsistente.

Recusar Deus é uma crença como as outras. No fundo trata-se de ter fé na ausência divina. Mas esta crença considera-se a si mesma lógica e natural. A Antropologia e Sociologia sérias mostram o oposto: a religiosidade é o normal em todas as culturas e épocas. O ateísmo é uma construção tardia e artificial de elites, sobretudo desde o Iluminismo. Mantido em ínfima minoria, agora está em clara decadência. Vendo-lhe a lógica interna, percebe-se porquê.

O agnosticismo, hoje variante dominante, justificar-se-ia se a existência de Deus fosse inconsequente e negligenciável. Mas ignorar a possibilidade de Deus é como desinteressar-se da existência do pai, benfeitor ou patrão, senhorio ou polícia. E se Ele aparece? Os verdadeiros agnósticos, com reais dúvidas, são poucos porque a maioria assume a resposta negativa implícita, vivendo um ateísmo disfarçado. O disfarce evita as dificuldades conceptuais e empíricas do ateísmo aberto, superiores a qualquer religião ou ideologia.

A dificuldade mais visível vem da existência da realidade. Porque há algo em vez de nada? Porque existe ordem, não caos? A resposta ateia era recusar a questão, porque o universo sempre existira assim, mas a teoria do Big Bang explodiu essa certeza e deu solidez científica ao facto da Criação.

Eu e o mundo, as coisas, pessoas e outros seres não existiam e passaram a existir. E existem de forma harmónica e coerente. A realidade é um infinito mosaico de minúcia e complexidade incompreensíveis. A ciência demonstrou que variações infinitesimais de parâmetros fundamentais, das forças do núcleo atómico à densidade do universo, torná-lo-iam impossível. Uma obra supõe um autor. Falar em leis da natureza apenas recua a questão para a origem dessas leis. Seria supina tolice supor um relógio surgindo perfeito das forças fortuitas da geologia e erosão. Um cérebro, muito mais complexo, quem o fez?

A resposta ateia tem de ser que o acaso de milhões de anos conduziu de uma explosão ao sorriso da minha filha. Ou o acaso é Deus, e o ateísmo nega-se, ou essa explicação é muito mais frágil que supor um Autor para a cosmos. Não tem certamente motivos científicos, ou até razoáveis, a recusa da hipótese plausível de um Criador inteligente. Muito inteligente.

Uma segunda dificuldade vem de dentro. Todos os humanos sentem em si uma ânsia de justiça e verdade, um sentido de bem e mal. Os actuais direitos universais apenas corporizam essa herança original e nela se justificam. Alguns valores são comuns, na enorme variedade de culturas e hábitos. Essa mesma variedade confirma que tal não pode vir de construções históricas e sociais, porque subjaz a todas.

A violação da lei moral apenas confirma a sua existência. Muitos conseguem suprimir em si esta busca da justiça (embora a sintam quando vítimas), mas o trabalho que dá apagá-la revela a inscrição na própria identidade da raça. Uma lei implica um legislador. Como podem meros atómos de carbono, aglomerados em aminoácidos e evoluindo pela selecção natural, gritar que salário digno é valor universal?

O terceiro e pior obstáculo do ateísmo é a ausência de finalidade. Para o ateu este universo, sem origem nem orientação, também não tem propósito. Bons e maus têm o mesmo destino vazio. Saber que vivemos num mundo que se dirige à morte e ao nada faz de nós os mais infelizes dos seres. Se Deus não existe não existem o bem, a moral, a própria razão. Esta crueldade ontológica é tão avassaladora que poucos que a afirmam a enfrentam com honestidade.

A fragilidade lógica do ateísmo é pouco relevante por ser um fenómeno elitista ocidental contemporâneo que, exportado à força pelo marxismo, está em extinção. A única questão interessante é saber porque coisas tão simples foram escondidas aos sábios e inteligentes e reveladas aos pequeninos.
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João César das Neves - Professor universitário (naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt)